O nosso evangelho era um negócio lucrativo - Declarações do sobrinho de Benny Hinn


"Benny Hinn é meu tio, mas a pregação da prosperidade não é para mim"

Como parte do império da família eu vivi uma vida de luxo. Então as dúvidas começaram a aparecer.

Costi Hinn | 20 de Setembro de 2017

Faz quase quinze ano, em uma região costeira próximo a Atenas, Grécia, eu me sentia completamente confiante na minha relação com o Senhor e a minha trajetória ministerial. Viajava pelo mundo em um avião privado da Gulfstream fazendo o ministério do "evangelho" e desfrutando cada luxo que o dinheiro podia comprar. Depois de um voo confortável e a minha comida favorita (lasanha) feita pelo nosso chef (cozinheiro) pessoal, nos preparamos para uma viagem ministerial descansando no Grand Resort: Lagonissi. Se gabando em minha própria vila com vista ao mar, com piscina privada e mais de 200 metros quadrados de espaço habitável, me recostei sobre as rochas sobre a borda da água e me regozijei na vida que eu estava vivendo. Depois de tudo, eu estava servindo a Jesus Cristo e vivendo a vida abundante que ele prometeu.

Mal sabia eu que esta costa era parte do mar Egeo, as mesmas águas que o apóstolo Paulo navegou enquanto difundiu o Evangelho de Jesus Cristo. Havia um só problema: Não estávamos pregando o mesmo evangelho que Paulo.

Estilo de vida luxuoso

Crescer no império da família Hinn era como pertencer a alguma mistura de família real e da máfia. Nosso estilo de vida era luxuoso, nossa lealdade era imponente, e nossa versão do evangelho era um grande negócio. Ainda que Jesus era parte do nosso evangelho, era mais um gênio da lâmpada mágica do que o Rei dos reis. "Esfregando" ele do modo correto — através de dar dinheiro e ter fé suficiente — isso destravaria a sua herança espiritual. O objetivo de Deus não era a sua glória mas o nosso lucro. Sua graça não era para nos libertar do pecado mas para nos fazer ricos. A vida abundante que Ele ofereceu não era eterna, era para agora. Nós vivemos o evangelho da prosperidade.

Meu pai pastoreava uma pequena igreja em Vancouver, British Columbia. Durante os meus anos de adolescente, ele poderia viajar aproximadamente duas vezes por mês com o meu tio, Benny Hinn. A teologia da prosperidade paga incrivelmente bem. Nós vivemos numa mansão de 1000 metros quadrados guardada por um portão privado, dirigíamos duas Mercedes Benz, desfrutávamos férias em lugares exóticos, e comprávamos nas mais caras lojas. Além disso compramos uma casa com vista ao mar de 2 milhões de dólares em Dana Point, Califórnia, onde outro Mercedes Benz se uniu a frota. Fomos extremamente abençoados.

Ao longo dos anos enfrentamos muitas críticas tanto dentro como fora da igreja. Dateline NBC, The Fifth Estate, um programa canadense de notícias, e outros programas, realizaram trabalhos de investigação. Conhecidos líderes ministeriais usaram radio para advertir as pessoas de nossos ensinos e os pastores locais disseram as suas congregações para se manterem afastados dos púlpitos ocupados por um "Hinn". Neste momento, eu cria que estávamos sendo perseguidos como Jesus e Paulo. Nossos críticos estavam invejosos de nossas bençãos.

Dentro da família, não toleramos a crítica. Um dia perguntei ao meu pai se nós poderíamos ir curar minha amiga de escola que havia perdido o seu cabelo por causa de câncer. Ele respondeu que ele poderia orar por ela de casa mesmo ao invés de ir lá curá-la. Eu pensei comigo mesmo, "Não deveríamos estar fazendo o mesmo que os apóstolos fizeram se nós temos o mesmo dom?" Naquele ponto, eu não questionei a sua capacidade para curar, mas as dúvidas começaram a surgir a respeito dos nossos motivos. Nós apenas fazíamos curas nas cruzadas, onde a música criava a atmosfera, o dinheiro mudava de mãos, e as pessoas se aproximavam com a quantidade "correta" de fé.

Outras dúvidas vieram a tona. O que dizer sobre as tentativas de cura onde não houve sucesso? Eu aprendi que era culpa da pessoa doente por duvidar de Deus e não ter fé suficiente. Por que deveríamos falar em línguas sem interpretação? "Não apague o Espírito", era o que me diziam. "Ele pode fazer o que ele quiser". Por que muitas de nossas profecias contradiziam a bíblia? "Não ponha Deus em uma caixa"; apesar das questões, eu confiava em minha família porque nós éramos muito bem sucedidos. Dezenas de milhares de pessoas nos seguiam, milhões lotavam os estádios anualmente para ouvir meu tio. Nós curávamos os enfermos, fazíamos milagres, éramos próximos de celebridades, e tínhamos uma incrível riqueza. Deus tinha que estar do nosso lado!

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Antes de ir para a universidade eu tirei um ano de férias e me juntei ao ministério de Benny como um "aparador" (alguém que pega as pessoas que estão "caindo no espírito") e assistente pessoal. Este era um rito de passagem na minha família, já que todos os sobrinhos trabalhavam para ele em algum momento. Esta era uma demonstração de lealdade e gratidão. Naquele ano foi um turbilhão de luxos, suítes reais de 25 mil dólares a noite em Dubai, Resorts a beira do mar na Grécia, viagens para os Alpes Suíços, vilas no Lago de Como na Itália, tomando banho de sol na costa dourada da Austrália, compras na Harrods em Londres, e numerosas viagens para Israel, Havaí, e muitos outros lugares. O pagamento (salário) era muito grande, nós voávamos no nosso próprio jato privado Gulfstream, e eu costumava comprar ternos feitos sob medida. Tudo que eu tinha que fazer era pegar as pessoas que caiam e parecer espiritual!

Um versículo que mudou a minha vida

Após se graduar na universidade e voltar para casa, eu encontrei a minha esposa, Christyne. Eu não tinha ideia que Deus iria usá-la para me trazer sobre salvação. De fato, minha família e eu estávamos muito nervosos por que ela não falava em línguas. Nós nos dispusémos a resolver este problema levando ela para participar de uma das cruzadas do Benny Hinn, mas nada aconteceu. Depois disso, ela foi a um culto na minha igreja em Vancouver, mas isso também não funcionou. Finalmente, ela recebeu algum treinamento numa conferência de jovens, mas ela não conseguiu falar mais que algumas sílabas murmuradas.  Eu realmente pensei que não poderia casar com ela a menos que alguma coisa acontecesse.

Então um dia ela apontou um versículo que eu nunca havia visto: 1 Coríntios 12:30 (" Tem todos dons de curar? Todos falam em línguas? Todos as interpretam? "). Meu coração foi sacudido. Isso ficou claro como o dia — não são todos que falam em línguas. Então o efeito dominó começou. Outras crenças de muito tempo começaram a cair diante do teste bíblico. Eu já não acreditava mais que o propósito de Deus era nos fazer felizes, saudáveis e ricos. Ao invés, eu vi que ele queria que eu vivesse para ele independentemente do que eu pudesse receber dele.

Enquanto eu lutava para emplacar um ministério, eu recebi uma ligação de um pastor amigo que estava plantando uma igreja na Califórnia, oferecendo-me para eu ser pastor de jovens em tempo parcial. Isso me pareceu o lugar perfeito para aprender e crescer, então Christyne e eu fizemos as malas e demos um passo de fé como recém casados.

Logo após juntar-me a equipe, Deus colocou um ponto final no meu falso sistema de crenças, e a verdade rompeu adiante como uma onda de graça. Uma das minhas primeiras pregações foi João 5:1-17 - a cura em Betesda. Enquanto eu estudava para o sermão, meu pastor amigo me deu um comentário de confiança. Então o Espírito Santo tomou o controle. A passagem mostrou-me que Jesus curou um homem fora da multidão, o homem não conhecia quem Jesus era, e o homem foi curado instantaneamente!

Isso deixou em farrapos três crenças que eu antes tinha como preciosas. É sempre a vontade de Deus curar? Não, Jesus só curou um homem dentre a multidão. Deus só cura as pessoas se elas tem fé suficiente? Não, este homem aleijado nem sequer sabia quem era Jesus (e muito menos poderia ter fé nele). A cura requer algum curandeiro ungido, música especial e uma coleta de ofertas? Não, Jesus sarou instantaneamente com a ordem da sua palavra! Chorei amargamente por minha participação na avarenta manipulação do ministério e minha vida de falsos ensinos e crenças, e Deus graças a Deus por sua misericórdia e graça através de Jesus Cristo. Meus olhos estavam completamente abertos.

Eu sou grato de que a minha esposa foi capaz de questionar a minha insistência no falar em línguas e que o meu pastor amou-me o suficiente para me discipular para fora da confusão do evangelho da prosperidade. Eu vi como Deus usa o evangelismo e discipulado para transformar almas perdidas em santos que foram encontrados. A maior capacidade de um cristão deve ser estar disponível. Quando o povo de Deus está querendo dar um passo de fé e falar da verdade em amor, vidas são transformadas e Deus é glorificado. Você nunca saberá quem ele pode salvar através da sua fidelidade.

*Testemunho de Costi Hinn, sobrinho do Benny Hinn

Traduzido de Christianity Today por www.arrependetebrasil.org

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