Falsos profetas não pregam santidade? Conheça a história do Montanismo!


POR VOLTA DO SÉCULO II da era cristã surgiu um movimento que foi denominado montanismo, devido ao nome de seu fundador, Montano, vindo da cidade de Ardabau, Frígia.

Que causa levou ao surgimento deste grupo e quais as suas características?

Na Igreja primitiva tinha-se uma clareza (maior que a de nossos tempos, evidentemente) de que os primeiros tempos do cristianismo, – século I e boa parte do II, – fora dominado por um grande fervor espiritual. Haveria neste período um desejo intenso de seguir a Cristo e observar fielmente o seu Evangelho, rompendo-se radicalmente com tudo aquilo que fosse entendido como sinal do antigo paganismo. Buscava-se a radicalidade absoluta no seguimento de Jesus, ao ponto de se entregar a própria vida sem resistência, se a opção fosse renegar a fé. Muitos chegavam mesmo a procurar as ocasiões de martírio.

Além disso, crê-se que a ação do Espírito Santo era mais visível que nos períodos posteriores, devido às suas manifestações. Assim, a presença dos dons, curas e milagres divinos impeliam os primeiros fiéis a buscarem adquirir um estilo de vida totalmente focado no Espírito. Almejavam serem conduzidos por Deus acima de qualquer outra coisa.

Toda essa realidade indicava, pressuposto, um ardor religioso intensíssimo. Entretanto, conforme os tempos foram se passando, – e ano após ano, década após década a segunda vinda de Jesus ou Parusia não chegava, – parece que todo esse fervor foi gradativamente diminuindo, como também as manifestações do Espírito Santo na Igreja. Esta, por sua vez, foi crescendo e se estruturando. Numa Igreja necessariamente mais hierárquica, foi-se estabelecendo cada vez mais a figura do bispo e do sacerdote como autoridade primordial sobre a Terra, enquanto que a intimidade com Deus e as experiências místicas particulares dos fiéis leigos foram perdendo espaço ou importância na vida da Igreja.

Toda essa situação pode parecer negativa e/ou demonstrar uma espécie de e movimento regressivo na Igreja, mas para alguns é apenas um reflexo natural e inevitável. Nos três séculos que duraram as primeiras perseguições, os cristãos enfrentaram, além do martírio, várias crises que se revelariam futuras controvérsias e debates dentro da própria Igreja, fazendo com que ela mesma formulasse dogmas na tentativa de manter a igreja fiel à sua verdadeira origem. Criou-se então uma divisão muito clara entre o "clero" ou os sacerdotes, e o povo leigo, comum. A idéia é que quanto maior a liberdade dada ao leigo, proporcionalmente maior, também, é o perigo do surgimento de novas heresias no seio da Igreja, que desvirtuariam a original e autêntica mensagem do Evangelho de Cristo. Deste modo, com esta "desculpa" de preservar o evangelho foi que mais e mais começou a se propagar a idéia de que a interpretação da bíblia só poderia ser feita pelos sacerdotes e bispos oficiais da época e não mais pela congregação toda fazendo uma clara divisão entre leigos e sacerdotes que não havia na igreja primitiva.

Para alguns cristãos daquela época, – dentre os quais Montano, – essa situação de aparente esfriamento da fé mostrava que aquela Igreja movida pelo Espírito Santo estava perdendo espaço para uma realidade que valorizava apenas as estruturas clericais. Por consequência, entendiam que, devido a essa situação, era necessário um retorno ao fervor da Igreja Primitiva.

Não haveriam maiores problemas com relação a este movimento e esta linha de pensamento, – e daí poderia até advir alguma renovação positiva na Igreja, – se, para atingir tal fim, os montanistas não tivessem começado a pregar que a segunda vinda de Cristo estava iminente. O grupo dos chamados montanistas exaltava apenas o celibato, em detrimento do casamento (chegando a pregar que por "santidade" os casados deveriam viver em castidade), defendiam uma radical abstinência sexual, jejuns rigorosos, não comer carne, e pesadíssimas penitências. Frisavam excessivamente a ação do Espírito Santo e suas manifestações, ao ponto de o próprio Montano se declarar como o porta voz do Paráclito prometido nos Evangelhos, e afirmar que seria ele a reconduzir a Igreja ao seu verdadeiro caminho. Não é necessário dizer que tudo que ele dissesse precisava ser obedecido sem questionamento uma vez que ele era "o porta voz" oficial do Espírito de Deus.

Montano, antes, havia sido sacerdote da deusa pagã Cibele, antes de se converter ao cristianismo. Passou a afirmar que tinha o dom da profecia, e que havia sido enviado por Jesus Cristo para inaugurar uma "era/dispensação do Espírito Santo". Duas mulheres que o acompanhavam, – Priscila (ou Prisca) e Maximila, – afirmavam também que o Espírito Santo falava através delas. Durante seus êxtases, anunciavam que o fim do mundo estava próximo, conclamando os cristãos a se reunirem na cidade de Pepusa (considerada por eles a terra de avivamento da época?), na Frígia, onde surgiria a Jerusalém celeste, uma vez que uma nova era cristã estaria se iniciando com esta nova suposta revelação divina.

Montano se punha a si mesmo no mesmo nível dos Apóstolos, especialmente Paulo, que não conhecera a Cristo em vida. Na sua visão, o "mais elevado estágio da revelação" havia sido atingido nele. Muitos deixaram suas casas e seus trabalhos e seguiram este grupo, para levar uma vida ascética a fim de se prepararem para a esperada segunda vinda de Jesus. Montano, homem extremamente persuasivo, incitava as pessoas a suportarem jejuns prolongados, fazia com que todos vivessem o celibato e os exortava a desejarem o martírio.

Vida ascética é a pessoa que se entrega a práticas espirituais, levando vida contemplativa com mortificação dos sentidos.

Tertuliano

Tertuliano tornou-se o mais importante convertido ao Montanismo. E com base no Montanismo, fundou a sua própria "Igreja": nascia o Tertulianismo.

É a partir dos escritos de Tertuliano que se conhecem os principais aspectos do montanismo, principalmente, as alegadas "revelações" de alguns de seus membros. O historiador Procópio, que viveu nesta época, narra em seus relatos que muitos montanistas se martirizaram, imolando-se vivos pelo fogo no interior das suas "igrejas" de modo a evitar serem capturados por seus perseguidores.

Ora, no mundo antigo, no final do século I e início do II, o montanismo foi condenado pela igreja como heresia.

Devemos de fato tomar um cuidado muito especial com esse tipo de pensamento e discurso, que é característico do pensamento montanista mas que permanece tão vivo até os nossos tempos. No decorrer da História essa mentalidade tende a reaparecer sob outras formas ligeiramente diversas e outros títulos, como não é difícil perceber ainda hoje.

Muitos falsos profetas conseguiram se infiltrar no meio da igreja ao longo dos séculos alegando possuirem uma unção especial e diferenciada para restaurar a igreja, e trazendo uma mensagem de restauração da igreja primitiva focada neles como profetas. Montano talvez foi o primeiro líder de uma seita restauracionista na história da igreja, que na tentativa de combater o formalismo e a organização humana excessivas, e de reafirmar as doutrinas do Espírito Santo, caiu no extremo oposto, concebendo fanáticas e equivocadas interpretações da Bíblia. Apesar do positivo protesto suscitado dentro da Igreja quando se aumenta a força da instituição e se diminui a dependência do Espírito de Deus, infelizmente, movimentos deste tipo geralmente se afastam da Bíblia, entusiasmados que ficam pela reforma que desejam, muitas vezes se entregam muito mais a euforia da sua expectativa do que a Palavra de Deus.

Com certeza, os dons e as manifestações do Espírito Santo são e devem ser parte da vida ordinária da Igreja, mas não podemos nos esquecer de que o Espírito Santo age também de modo a nos ensinar a crer mesmo sem ver manifestações sobrenaturais. Jesus confrontou o diabo no deserto apenas citando as escrituras, e ele estava cheio do Espírito Santo, nem por isso realizou muitos milagres para contender mostrando ao diabo ter mais poder do que ele. Além do mais, nas palavras do próprio Cristo os falsos profetas seriam conhecidos pelos seus frutos, ou seja, caráter, muito mais do que pelos seus dons. Há até hoje quem pense que possuir dons espirituais seja prova de avivamento na igreja, mas quando olhamos para a bíblia encontramos a igreja de Corinto, ela possuia todos os dons e ainda assim isso não impediu Paulo de lhes escrever que eles estavam sendo carnais e fazendo inclusive bagunça e desordem nos cultos.

A falsidade de um falso profeta é no caráter, pode fazer chover milagres. Além do mais, os que desejam apenas experiências sobrenaturais se tornam um alvo fácil para espíritos enganadores.

Precisamos ter uma visão correta do que significa avivamento, e também compreender que Jesus não prometeu que enviaria nenhum profeta para restaurar a igreja o fervor primitivo no final dos dias, mas sim prometeu que ele derramaria O PRÓPRIO ESPÍRITO SANTO.

Concluímos portanto, que desde os fariseus, que pregavam arrependimento e santidade, muitos falsos profetas na história da igreja, pregaram sim temas bíblicos. Muitos falsos profetas pregam sim santidade, mas uma visão desfocada do que ela realmente seja, muitas vezes colocando-se a si mesmos no lugar do Espírito Santo, vezes veladamente, vezes abertamente.

Deus abençoe a todos!
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Sobre o site Altar de Arrependimento

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