O Silêncio do Cordeiro - Leonard Ravenhill


EM SUA JORNADA RUMO À GRANDEZA, JESUS SUJEITOU-SE AO SILÊNCIO

Certa vez um sábio disse o seguinte: “Alguns homens nascem para ser grandes, outros conseguem se tornar grandes, e ainda outros recebem a grandeza por atribuição de terceiros.”

Todas estas três características eram verdadeiras a respeito de Jesus Cristo, o Filho de Deus.

Primeiro, ele nasceu para a grandeza — nasceu para ser o primogênito entre muitos irmãos, e para ser o primogênito de entre os mortos. Nasceu para a grandeza, gerado por aquele que é A Grandeza personificada — o Espírito Santo. Ele nasceu do Espírito para a carne, para que nós, que somos nascidos da carne, também pudéssemos nascer do Espírito.

Jesus Cristo também alcançou a grandeza. Mesmo para o Filho de Deus havia crescimento, sofrimento e correção. Ele aprendeu a obediência por intermédio das coisas que sofreu durante uma parte da sua vida terrena.

E, por último, Jesus Cristo recebeu a grandeza por atribuição do Pai. Agradou ao Pai determinar que um dia todo joelho terá de se dobrar diante do Filho e que, para a Glória do Pai, toda língua, em todos os idiomas, O Confessará. Ele, o Filho será o Supremo Juiz das gerações.

Em um livreto intitulado D. Hidden Years (Os anos escondidos), John Oxenham tenta nos contar a história não contada do desenvolvimento humano de Jesus. Entretanto, ele falha terrivelmente nessa tarefa. A interpretação desaba debaixo do peso da sua própria fantasia.

Na sua clássica obra, The Life and Times of Jesus Christ ( A vida e os tempos de Jesus Cristo), Dr. Alfred Edersheim gasta quase mil quinhentas páginas para nos dar a sua interpretação da vida do Mestre. Comparando, ou contrastando com o apóstolo João, este discípulo gastou apenas 21 páginas em seu evangelho para nos apresentar a inspirativa história da vida de Cristo. Mesmo se juntarmos estes dois relatos, ainda assim, iremos chegar à mesma conclusão a que chegou a rainha de Sabá: “Eis que me não disseram a metade...” (2 Crônicas 9:6).

Precisamos nos lembrar novamente, para o nosso próprio bem, que a Palavra “mistério” é a primeira que surge quando pensamos em linguagem teológica. Nosso saudoso e amado irmão Dr. A. W. Tozer costumava dizer: “É sempre bom ter um pouquinho de mistério em nossa alma”. Concordo plenamente! Entretanto, mesmo assim, gostaria de compartilhar com o leitor alguns pensamentos a respeito das maravilhosas e grandes realizações do Nosso Amado Senhor Jesus.

Todavia, não podemos permitir que a nossa imaginação cometa excessos aqui. Tudo que Deus preferiu manter debaixo de mistério, não devemos tentar revelar. Minha preocupação neste estudo, porém, é pensar um pouco, juntamente com o leitor, a respeito dos anos “não revelados” da vida terrena de Jesus — aquele período no qual agradou ao Pai ocultar o Filho.

Para mim, a paciente espera de Jesus, durante estes 30 anos em que esteve “esquecido”, é algo absolutamente fantástico. Quem, a não ser o nosso abençoado Jesus, poderia ter ficado atolado até o tornozelo nas serragens de madeira, no seu ofício de carpinteiro — quieto e em silêncio, no meio de uma religião que oprimia, extorquia e que era corrupta? Quem, senão o próprio Cristo poderia ter mantido um profundo silêncio enquanto homens justos e sedentos lamentavam a demora da vinda do Filho de Davi, levantando altos clamores no muro das lamentações?

Quantas vezes durante aqueles anos Jesus, visitando o Templo e presenciando aqueles inúteis sacrifícios de animais, teria lançado um rápido olhar nos olhos do Pai, esperando com paciência por um sinal para que ele pudesse declarar-se a si mesmo o Poderoso Filho de Deus.

Supondo que Jesus Cristo, enquanto ainda em sua juventude, tenha tido acesso as escrituras, será que ele não teria lido com toda atenção a respeito dos caminhos tortuosos seguidos pelos homens, em sua busca para alcançar o topo da espiritualidade?

Jesus, o Filho de Deus, que deixou a glória do Pai, certamente sabia que Moisés passou quarenta anos aprendendo em uma fazenda de ovelha, em uma das partes mais escondidas do deserto. A saída de Moisés do palácio real custou-lhe a perda das insígnias militares que ele trazia dependuradas em seu peito. Sua mão, que outrora descansava em uma espada real, agora tinha de descansar quarenta anos sob um cajado de pastor.

Durante as leituras que Jesus fez nas escrituras, ele certamente foi levado a ver que seu protótipo, José, também teve um tempo na prisão como sua parte do treinamento da Universidade do Silêncio, a qual Deus leva o seu povo.

Jesus também sabia sobre Elias, que, antes de pôr um fim à jornada de Jezabel, teve de passar por uma mudança, indo de sua fase de herói para um treinamento por um período de 3 anos de descanso no deserto. Durante este tempo ele tinha apenas duas refeições por dia.

“No rolo do livro está escrito a meu respeito” (Salmo 40:7); (Hebreus 10:7). Será que estas palavras revelam que Jesus havia lido o Livro? Ou (sublime mistério), seria verdade que uma vez que Jesus era a Palavra, toda ela estivesse gravada em seu ser, e que mesmo sem jamais a ter lido, ele a conhecesse toda? Afinal de contas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo foram coautores deste livro infalível.

Que paciência ele deve ter tido para ficar vendo aqueles orgulhosos e insuportáveis fariseus: Seus desfiles carnais de todo dia, suas lamurientas orações pelas esquinas da cidade, e sua constante competição para ver qual deles conseguiria mais admiração de um grupo maior de pessoas, por causa da sua “santidade”. Quando Jesus os via tentando roubar a glória de Deus, certamente sentia uma profunda dor em sua alma. O Senhor Jesus Cristo esperou muito tempo antes de, finalmente, chamá-los de “sepulcros caiados” (Mateus 23:27).

Tenho certeza de que Jesus como carpinteiro, fez também caixões funerários, e deve ter visto muitos cortejos fúnebres, contudo não ficava ansioso querendo poder para ressuscitar os mortos. Embora ele fosse “a Ressurreição e a Vida” (João 11:25), mesmo assim, com infinita paciência, esperou o dia quando poderia tocar o esquife do filho de uma viúva e abalar a cidade com a notícia a respeito do seu poder de dar a vida.

Maravilhosa graça do nosso Amado Senhor, que sem ser observado por ninguém, sendo desconhecido e em silêncio, pode se colocar nas sombras enquanto uma imensurável dor assaltava a sua alma e clamava por ouvir a sua voz.

Certa ocasião algumas pessoas elogiaram o Senhor, dizendo: “Nunca homem algum falou assim como este homem” (João 7:46). Entretanto, geralmente eles O ignoravam ou se opunham a ele. Mesmo assim, o Senhor permaneceu firme e declarou: “Eis aqui estou, para fazer, ó Deus, a tua vontade” (Hebreus 10:7).

A maioria de nós não suporta ser qualificado menos do que o que consideramos ser. Podemos até não buscarmos ser destaque em algum desfile, mas — e aqui está a nossa lamentável fraqueza — necessitamos fazer parte dele. O desfile de “piedade” dos fariseus lhes dava o louvor dos homens. “Eles já receberam a recompensa” (Mateus 6:2), disse Jesus.

Como verdadeiros filhos de Deus que somos, não temos nada propriamente nosso para defender ou promover. Nossa tarefa é apenas carregar o fardo do Senhor, que é leve.

“Existem duas coisas a fazer com relação ao evangelho: Crer e agir”, dizia Suzana Wesley aos seus famosos filhos, Charles e John Wesley.

Talvez Jesus tenha se misturado no meio das multidões durante meses, ouvindo João Batista trovejando as palavras do Senhor. E se realmente foi assim, sua alma, deve ter louvado a Deus entusiasticamente pelo fato de que 400 anos de silêncio profético entre os Testamentos havia sido finalmente quebrado. Jesus teria assistido àquelas cenas de batismo com um coração em brasa, ao ver as multidões aumentando, e os penitentes se prostrando à palavra.

Jesus visitou o Templo onde um dia ele iria encher com a sua glória; contudo, sempre em silêncio. Ele não fez nenhuma exigência, não deu nenhuma dica, não manifestou nenhum poder, não entregou nenhuma profecia, não convocou nenhum discípulo, não reivindicou poder algum, nem destruiu nenhum mal — ele simplesmente aguardou em silêncio, fortalecido, paciente.

Contudo, sua hora chegou. Um dia João Batista declarou: “ Eis!” e ouviu-se uma Voz do céu. O dia da Sua “Graduação” havia chegado. Quanto a alma do nosso Senhor deve ter vibrado de alegria com isso!

Amigo leitor, pastor, será que você está escondido, esquecido em um canto? Não! Ninguém consegue esconder-se dos olhos do Senhor.

E você, solitário e quase exausto missionário, será que está esquecido e negligenciado em algum esquecido vilarejo de algum afluente do Rio Amazonas (ou algum outro rio)? Jamais! Isso é plano de Deus. Ele está moldando a sua vida para a eternidade. Companheiro peregrino, se o abençoado e ungido Filho de Deus pôde esperar com paciência, andar com perseverança, e esperar nas sombras até receber a vindicação do Pai, porque então, você e eu deveríamos ficar nos consumindo de ansiedade?

Leonard Ravenhill.
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